
Se condicionou a uma prisão particular.
Desde que tudo perdera o sentido, decidiu que não sairia mais dali.
E assim o fez.
Viveria entre aquelas quatro paredes sufocantes pelo que restasse de sua vida.
E conversava com elas.
Contava de dias felizes, de momentos únicos, das flores que ele trazia antes de partir.
E naqueles instantes parecia-lhe que sua vida era novamente grandiosa!
Parecia que as paredes se moviam, que o cômodo crescia, que tinha que correr e berrar na direção das paredes para que pudesse ser ouvida...
... como corria na direção daquele que chegava com um buquê de rosas nas mãos.
E a partir daí lembrava que ele não mais viria.
Aquelas rosas aos poucos se deterioravam em sua memória, se tornavam restos, vestígios, folhas secas.
E as paredes novamente iam se aproximando, num tom de piedade de quem a queria consolar.
E era essa a companhia que teria nesse tempo que separava o resto de sua vida do reencontro...
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