
As lágrimas removiam a maquiagem enquanto ela se olhava no espelho.Por um instante era difícil reconhecer uma menina tão bonita entre aqueles borrões de cores e tintas, embaralhados em uma face alvíssima.
Mas, verdade seja dita, havia tempo que era difícil reconhecê-la. Nem ela mesma se reconhecia! Enquanto ainda chorava e se olhava no espelho, tentava encontrar os traços simples e naturais que vagamente se recordava, mas não mais via.
Se ainda fosse só o que via no espelho... a maquiagem sombria e as roupas escuras pareciam ter transgredido e dado o mesmo colorido ao seu interior. E ela chorava ainda mais ao olhar o borrão no espelho e não conseguir enxergar mais que aquilo. Tudo era escuro ali!
Era uma menina normal até pouco tempo atrás, mas mudara por um grande amor. Grande? Não... não o amor. Talvez o hábito, o medo da solidão, os conselhos familiares, os amigos em comum a serem impressionados, talvez isso fosse grande. O amor, mesmo variava de ínfimo a inexistente...
Pelos outros se deixou envolver, pelo medo se deixou mudar e pelo hábito deixou o tempo passar. Mas se cansara. Ser quem os outros queriam que ela fosse cansava, e muito!
E todas as noites praticava aquele mesmo ritual: chegava de festas que nunca quis ir, posicionava-se na frente do espelho e chorava copiosamente. Entre uma lágrima e outra, ensaiava as frases que a libertariam de tudo aquilo, que fariam eles enxergar que ela tem outras vontades, vontades próprias, que fariam ELE a ver como ela realmente era, e a amá-la assim, incondicionalmente!
Todas as noites repetia as mesmas frases em voz alta:
-você sabia que eu gosto de MPB e tenho uma coleção de CDs do Oswaldo Montenegro?
-Já me perguntou o que quero beber? Eu sempre prefiro coca zero a vodka...
-Lugares fechados e escuros me fragilizam e deixam com medo, sabia? Prefiro ver o sol se por ao ar livre...
-Você me ama de verdade, ou só quer me exibir por aí? Quer uma namorada pra você ou para seus amigos, afinal?
-Você ainda estaria comigo se eu não fizesse tudo o que você pedisse, mas o que me desse na telha?
-Eu faço tanto sacrifícios pelo que você quer... faria o mesmo por mim?
E depois de um longo silêncio emoldurado de lágrimas, percebia que não queria ouvir as respostas. Tomava banho e se preparava pra dormir. Logo logo começaria outro dia de fingimento e anulação, e ela teria que ser forte pra lidar com tudo aquilo, inclusive com o paralisante medo. Medo? Medos, no plural: o medo da solidão e o medo de arriscar.
Mas, verdade seja dita, havia tempo que era difícil reconhecê-la. Nem ela mesma se reconhecia! Enquanto ainda chorava e se olhava no espelho, tentava encontrar os traços simples e naturais que vagamente se recordava, mas não mais via.
Se ainda fosse só o que via no espelho... a maquiagem sombria e as roupas escuras pareciam ter transgredido e dado o mesmo colorido ao seu interior. E ela chorava ainda mais ao olhar o borrão no espelho e não conseguir enxergar mais que aquilo. Tudo era escuro ali!
Era uma menina normal até pouco tempo atrás, mas mudara por um grande amor. Grande? Não... não o amor. Talvez o hábito, o medo da solidão, os conselhos familiares, os amigos em comum a serem impressionados, talvez isso fosse grande. O amor, mesmo variava de ínfimo a inexistente...
Pelos outros se deixou envolver, pelo medo se deixou mudar e pelo hábito deixou o tempo passar. Mas se cansara. Ser quem os outros queriam que ela fosse cansava, e muito!
E todas as noites praticava aquele mesmo ritual: chegava de festas que nunca quis ir, posicionava-se na frente do espelho e chorava copiosamente. Entre uma lágrima e outra, ensaiava as frases que a libertariam de tudo aquilo, que fariam eles enxergar que ela tem outras vontades, vontades próprias, que fariam ELE a ver como ela realmente era, e a amá-la assim, incondicionalmente!
Todas as noites repetia as mesmas frases em voz alta:
-você sabia que eu gosto de MPB e tenho uma coleção de CDs do Oswaldo Montenegro?
-Já me perguntou o que quero beber? Eu sempre prefiro coca zero a vodka...
-Lugares fechados e escuros me fragilizam e deixam com medo, sabia? Prefiro ver o sol se por ao ar livre...
-Você me ama de verdade, ou só quer me exibir por aí? Quer uma namorada pra você ou para seus amigos, afinal?
-Você ainda estaria comigo se eu não fizesse tudo o que você pedisse, mas o que me desse na telha?
-Eu faço tanto sacrifícios pelo que você quer... faria o mesmo por mim?
E depois de um longo silêncio emoldurado de lágrimas, percebia que não queria ouvir as respostas. Tomava banho e se preparava pra dormir. Logo logo começaria outro dia de fingimento e anulação, e ela teria que ser forte pra lidar com tudo aquilo, inclusive com o paralisante medo. Medo? Medos, no plural: o medo da solidão e o medo de arriscar.
Lindo, lindo, Vivi *_*
ResponderExcluirNão sabia que você escrevia tão bem!
Me deixou sem palavras, mas [emo]cionado!
Sem querer plagiar o Vitenho mas fato é q me EMOcionou muito!
ResponderExcluirParabéns mocinha... se eu tivesse 1/3 desse teu Dom ficava amis feliz! :)
LINDO AO CUBO, fato.
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